segunda-feira, 12 de abril de 2010

Minha vida

Hoje é um dia muito importante para mim, pois ganhei coragem de abrir o meu coração e revelar as minhas mágoas mais profundas...

Nasci há 25 anos, por força do acaso, pois os meus pais já não queriam ter mais filhos afinal de contas já tinham três e a situação económica que eles viviam não era nada fácil. Por essa razão,ao fim de 4 meses que eu tinha nasci o meu pai teve que emigrar. Sempre vivi com a minha mãe e só estava com o meu pai durante dois meses por ano, mas mesmo durante esses dois meses eu e o meu pai nunca tivemos grande afinidade, sempre fui a ultima pessoa com quem o meu pai se preocupa, com ele dava atenção. Ele nunca me deu atenção nem carinho. Quando os meus pais tinham discussões, ele me deixava sempre ficar para trás.

Sempre vivi com a minha mãe, sempre fui e continuo a ser muito apegada a minha mãe. Sempre me senti desprezada pelo meu pai.

Desde bebé que sempre fui menina de ficar sempre no meu canto, brincava sozinha, passava o tempo a olhar para a minha mãe. Não conseguia brincar com os meus irmãos, pois sentia-me desenquadrada da minha família. Sentia que os incomodava.

A minha infância passei-a com a minha mãe, até aos meus seis anos de idade. Depois fui para a escola e nessa altura tive muita dificuldade em me enquadrada na escola. Não era pessoa de me meter na conversa com outras pessoas e como era muito magrinha toda a gente gozava comigo e chamavam-me "perna de palito". Não me sentia muito bem com isso e ainda me leva a ficar mais retraída, mais reservada, com vergonha de mim mesma.

A professora apercebia-se que eu estava sempre num canto sozinha e obrigou as minhas colegas a brincarem comigo, mas elas sempre que podiam fugiam de mim ou então gozavam com o meu corpo, faziam de mim a escrava delas.Sentia que eram minhas amigas por obrigação e depois por interesse...

Aos meus sete anos passei a ir para a escola sozinha, mas sentia medo, nunca disse nada a minha mãe, mas desde o dia em que eu ia para a escola e de repente me aparecem dois touros a correr atrás de mim e que tive de me esconder mais do que á pressa parta eles não me apanharem,deixeii de gostar de andar sozinha na minha rua. Tinha sempre receio que eles voltassem a aparecer...

Aos meus oito anos, ia para a catequese com a minha irmã e ao passar a casa de um vizinho meu, a cadela dele mordeu-me o gémeo esquerdo e não mo cortou, porque a minha irmã e uma senhora que nos ouviu conseguiram retiram a minha perna da boca da cadela.A senhora arranjou-me farmacos para desinfectar a perna e depois eu fui para a catequese com a minha irmã... Quando cheguei à igreja ainda ia a chorar e todas as outras crianças começaram a fazer troça de mim por eu estar a chorar... Desde esse dia tive vergonha de chorar, comecei a reprimir as minhas emoções. Sentia que tudo em mim era motivo de gozo, de rejeição, de desprezo...

Nesse mesmo ano, o meu pai bateu-me com uma vassoura e não tinha qualquer motivo para me bater, descarregou a fúria dele em cima do meu corpo e desde ai nunca mais permiti que o meu pai me toca-se.

Um ano mais tarde, tornei-me mulher e então ai as exigências da minha mãe sobre mim aumentaram imenso. Já era mulher e como tal tinha de ter comportamento, atitudes de uma mulher. Passou a exigir muito mais de mim do que da minha irmã, mesmo ela sendo mais velha que eu, mas como eu já era mulher e ela não, eu tinha de ter mais juízo que a minha irmã.

Entrei para o ensino básico aos meus dez anos e ai é que senti mesmo o desprezo e a rejeição dos meus colegas de turma, a incapacidade de inserção junto dos meus colegas.

Consegui arranjar amigas porque lhes tinha de dar coisas, e por causa delas contraí uma dívida, sem os meus pais saberem, nunca tive coragem de lhes pedir dinheiro e nunca tive coragem de lhes dizer que fiquei a dever a alguém para comprar coisas que nem sequer eram para mim, mas só dessa forma é que conseguia ter amigos...Os meus amigos continuavam a gozar comigo por eu ser muito magrinha...

Aos onze anos vi o pior pesadelo da minha vida. Ia para a escola, quando bem perto da minha casa, um homem de mota, para a minha beira, me encosta a parede, me obriga a estar calada, me começa a acaríciar o peito e depois me desaperta as calças e me começa a mexer na vagina com a mão. Disse-me que não me queria fazer mal, mas que eu tinha de estar calada. Quando ele, desceu da mota, para tentar consumar a violação, eu consegui empurá-lo para o chão e fugir... Não consegui vir para casa, tinha aulas e tinha medo do que a minha mãe ia pensar e me ia dizer sobre isto... Fui para a escola mas só conseguia pensar naquela tentativa de violação, sentia nojo do meu corpo, sentia nojo de mim mesma, comecei a sentir repulsa por mim mesma... Quando cheguei a casa tomei banho para ver se me sentia mais limpa, mas a única coisa que eu conseguia sentir era mais nojo de mim, sentia-me um lixo...Não consegui contar a ninguém da minha família, não conseguia chorar...

No dia seguinte ter de voltar a passar por aquele sítio para mim foi medonho,..., passei a fazer o percurso de minha casa até ao autocarro quase a correr e quando ouvi um barulho de uma mota, desatava a correr com medo que o homem me voltasse a aparecer e eu desta vez não conseguisse fugir das mãos. Desejava encontrar alguém sempre no caminho para me sentir segura.

As minhas "amigas" não me ligavam nenhuma a não ser se eu lhes desse alguma coisa, caso contrário nem ligavam para o que se passava comigo nem para o que eu dizia.

Meses depois disto acontecer, o meu pai teve um acidente de trabalho do qual foi operado e teve complicações na cirurgia, onde resultou no facto de ele ficar paralisado e na altura ficou meses sem andar e sem se mexer.

Seis meses após o acidente do meu pai, a minha mãe teve um AVC e teve de ficar internada no hospital durante quase dois meses. Durante este tempo todo quem ficou connosco (comigo e com os meus irmãos) foi a minha avó, ela morava ao nosso lado. Foram dois meses horríveis. Eu e a minha avó tinhamos feitios opostos e a minha avó também não gostav muito de mim. Os netos preferidos dela eram o meu irmão mais velho e a minha irmã...

Aos treze anos, o meu irmão mais velho tentou ter relações sexuais comigo durante a noite, mas eu nunca deixei. Sentia-me tão nojenta quando ele aparecia no meu quarto e no dia seguinte eu nem sequer conseguia olhar para a cara dele... Também nunca fui capaz de contar a ninguém o que ele tentava fazer comigo...

Aos meus catorze anos os rapazes lá da escola tentavam meter-se comigo, mas eu não lhes ligava nenhuma e foi desde dai que as minhas "amigas" passaram a dar-me mais importância.

No verão desse ano, sentia uma enorme rejeição do meu pai para comigo, foi o verão que ele passou connosco que ele foi muito violento verbalmente comigo e fisicamente com a minha irmã e como me sentia muito rejeitada comecei a comer muito, passava o dia todo a comer e só comia coisas que faziam muito mal. Nesse verão engordei 15kilos, estava forte, mas nenhuma pessoa demasiado obessa, pois apesar de ter engordado 15 kilos, cheguei ao fim do verão a pesar 60 kilos.

Quando a escola começou, as minhas "amigas" já não gozavam comigo por eu ser magra, mas sim por estar tão gorda, maqs naquela altura não me sentia mal com isso até gostava do que via...

Aos meus quinze anos "namorei", aquilo não foi namoro, pois entre nós não se passou nada a não ser um "bate-chapas". Não gostava dele, achava-o engraçadinho, mas não era o meu género de rapaz e ainda por cima era mais novo que eu. Andei com ele porque elas diziam que eu era a única que nunca tinha beijado um rapaz nem namorado ninguém, que também tinha de ter. Não era capaz de me impor deixava que os outros tomassem a decisão por mim, mas era em tudo até em casa.

Os rapazes de quem eu gostava, não gostavam de mim, era das minhas amigas...

Aos dezasseis anos fui para o Secundário e ai voltei a sentir-me desenquadrada, mas ainda consegui fazer algumas amizades, mas foi só por um anos, pois conhecemos uns rapazes, do qual eu me apaixonei por um e uma amiga minha apaixonou-se por um amigo dele. Estupidez nossa escolhemos comprar uns cartões de telemóvel novos para nos declararmos a eles, mas deu muito mau resultado,ela acabou por enviar do meu telemóvel, sem consentimento meu, uma mensagem romântica para o gajo que andava interessada e depois quem ficou mal nessa história toda fui eu. E fiquei ainda pior quando soubesse que ele também gostava de mim e que se nada daquilo se tivesse passado eu e ele até poderiamos ter andado...

Nesse ano, para surpesa da minha familia e das minhas amigas de há 6 anos, eu emagreci os 15 kilos que tinha engordado.Não fiz dieta nem nada, simplesmente deixei de comer as porcarias que comia e o meu apetite reduziu bastante.

Quando voltei a pesar 45 kilos passei a gostar muito mais de mim quando me via ao espelho do que quando pesava 60 kilos.

Depois as pessoas passaram a dizer que eu estava muito magra. Não os entendia, mas a verdade é que eu amava era quando eu era mesmo muito magrinha, era a imagem que eu gostava de ver ao espelho.

No meu décimo primeiro ano, quase não tinha amigos, muitas vezes estava com pessoas quase por empréstimo, outras estava mesmo sozinha, passavas sozinha ou na escola ou então ia para a praia, porque tinha vergonha de estar sozinha.

No verão, entre décimo primeiro e décimo segundo ano, não sei como apanhei uma depressão, chorei por todos os anos que nunca tinha chorado. Não sabia o motivo pois aparentemente não o tinha, mas o acumular de sentimentos reprimidos, de magoas guardas sem nunca as chorar nem nunca falar e o facto de não ter amigos nem ninguém com quem falar, nem com quem sair, foi tudo isso que contribuiu para essa depressão.

Eu só descobri essa depressão três meses depois, quando durante dois meses seguidos não menstruei. Contei a minha mãe e nessa mesma noite ouvi a minha mãe a dizer ao meu pai e ele a dizer-lhe que eu era uma puta, que tinha ido para a cama com um homem qualquer que conheci na rua e que estava grávida. Doeu-me tanto ouvir aquilo do meu pai que no dia seguinte nem sequer conseguia olhar para a cara dele.

Passado duas semanas de contar à minha mãe ela levou-me ao médico,pois o meu pai só lhe dizia que eu estava grávida, que era uma puta e então ela lá me levou ao médico. Fiquei muito magoada com a minha mãe por ela não acreditar que eu não estava grávida e que ainda não tinha permitido que homem nenhum me tirasse a virgindade... Se eles soubesses das tentativas de violação, o que é que pensariam de mim?!?!?!

O meu médico depois disto diagnosticou-me uma depressão profunda e comecei a fazer tratamento, mas ainda demorou uns quatro meses a voltar ao normal e tive uma grande ajuda de um homem mais velho que eu sete anos que eu conheci, ele é condutor de autocarros, ele começou a brincar comigo ao fim de três meses que andava ali a conduzir e eu deixei-me encantar por ele. Andamos na troca de telefonemas, nas mensagens, nos cafés durante oito meses até que um dia ele me roubou um beijo, e depois outro e outro até que um dia depois de eu já o ter ido levar a casa, ele me convidou para ir tomar café com ele a casa dele e eu fui. Essa tarde foi magnifica, acabei por me deixar seduzir por ele e me entregar a ele,..., gostava mesmo dele, até que duas semanas depois soube que ele tinha outra. Chorei tanto e arrependi-me tanto de me ter dado a ele e de permitir que ele me tirasse aquilo que eu tanto preservei...

Meses depois de tudo isto,o homem que me vendeu o computador, continuou as suas investidas na minha direcção e eu sem dar por ela deixei-me cair na teia dele, gostava de falar com ele ao telemóvel e foi no fim de uma chamada telefónica dele que a minha mãe me disse que eu gostava daquele homem, que nunca tinha visto ninguém ter o efeito que ele tinha tido em mim. A minha mãe tinha razão, ele tinha alterado mesmo o meu humor, mas eu não lhe ligava nenhuma, era só um técnico e mais nada. Até que ele nessa mesma noite esteve na minha casa e numa conversa de seis horas quase, ele conseguiu quebrar o gelo que existia entre nós, quando me agarrou o joelho com a mão dele, desde aquele momento comecei a vê-lo como homem e a admirá-lo. Ele deixou-me todos os contactos dele e ficou com todos os meus.

Passamos a falar-nos pelo messenger e por telemóvel, pois estavamos a maior parte do tempo a uma distância de 450 km. Passavamos o dia, desde que acordavamos até que iamos dormir na conversa.

Três semanas depois fomos jantar juntos,noite fantástica até ao momento em que cheguei a casa, que ouvi o meu pai a dizer à minha mãe que eu era uma puta, uma vadia, uma vagabunda, se tinha algum jeito uma rapariga ir sair com um homem mais velho que ela 15 anos até às 4h30 da manhã.

Desde esse dia, o meu pai começou a tratar-me assim constantemente, mas não foi por isso que eu deixei de sair com ele e nem mesmo de fazer amor com ele meses depois de termos ido jantar, eu apaixonei-me por ele e só queria estar com ele. Vivia para ele, só estava bem com ele.

Nesse ano a nossa relação não durou mais do que oito meses. Ele conheceu uma mulher um pouco mais velha que eu e estava perto dele e ele acabou por namorar com ela. Quando soube que ele namorava, fiquei tão mal que voltei a fazer asneiras e disse-lhe por mensagem aquilo que nunca tinha sido capaz de o fazer pessoalmente, fiz-me passar por outra pessoa para lhe dizer isso, mas o que obtive não foi o resultado esperado, pois ele não me procurou e continuou com a outra.

Procurou-me sim passado um ano, e tudo voltou a acontecer novamente, pois eu continuava a gostar dele e a querer estar com ele.

Foi neste ano que entrei num caminho que quase foi sem volta. A situação com o meu pai tornou-se insuportável, poisa rejeição dele por mim agravou-se, ele só sabia falar para mim para me chamar de puta e me dizer que a minha cunhada era mais filha dele que eu era. Desde esse dia que a única coisa que eu queria era suicidar-me, morrer, sair desta vida definitivamente, muitas vezes tentei fazê-lo e até mesmo começei cortar os meus pulsos, mas nunca fui até ao fim, pois para mim a minha mãe era sempre mais importante do que eu, foi por ela que nunca me suicidei.

Ainda vivia dentro deste precipicio, quando um dia comi demais e estava demasiado afrontada que decidi provocar o vomito e desde esse dia que comecei a empantorar-me de comida e depois a vomitar de seguida.

Do suícido consegui sair ao fim de um ano e isso devo muito ao homem que tanto amei e que estava comigo na altura, às escondidas, pois nem dos familiares aceitava muito bem que ele tivesse relações com mulheres tão mais novas que ele nem o meu pai aceitava que eu andasse com ele.Eramos 15 anos de diferença um do outro, mas isso não era o que nos incomodava. Nós sentiamo-nos imensamente bem um com o outro.

Até ao dia em que ele voltei a ir de vez em quando ao local onde estava a trabalhar e meses mais tarde soube que ele andava com outra mulher, dois meses depois de saber que ele não tinha deixado deixei-o eu, mesmo sentindo o que sentia por ele, eu deixei-o. Sentia-me a morrer aos poucos, sentia-me dependente dele, tornei-me uma pessoa controladora e obsecada por saber se ele me andava a trair ou não. Acabou mas a amizade ficou. Ele foi o unico a quem consegui contar que tinha sido vitima de três tentativas de violação ( a terceira foi um idoso num autocarro, aos meus dezanove anos, nessa altura ainda era virgem).Foi ele que me ensinou que eu não sabia aceitar um não, que se não dissesse aos outros o que sentia por eles, eles nunca iriam descobrir, que por tudo o que passei pensava que todos os homens só vêem sexo e só querem uma mulher para sexo quando nem sempre é bem assim, que tinha de fazer aquilo que sentia que devia de fazer e não guiar-me por aquilo que o meu pai acha a meu respeito. Aprendi muito com ele e ele comigo...

A bulimia continuo a tê-la até hoje, mas hoje declaro o seu fim, declaro que me amo, que vou ter o corpo com que gosto de me ver e perder os quilos que tanto engordei com esta doença.

Hoje é o fim da minha bulimia, porque hoje consegui gritar ao mundo tudo o que guardei reprimido que me levou ao medo, à insegurança, à raiva, ao rancor, à magoa, que me levou a refugiar na comida e que hoje escolho deixar tudo isso no passado, onde deveria ter ficado há muitos e longos anos, mas do qual não fui capaz.

Hoje começa uma nova vida para mim...

SER FELIZ

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Bom dia!

Eis que hoje começo a contar a minha história de vida.